Eu, Emanuela Carvalho
sexta-feira, 2 de março de 2012
Duas sílabas
Que gritam
Em desassossego
Dizem em duas sílabas
O nome de quem eu quero
Por perto
Aqui ao lado
Por dentro
Emaranhado
E quem sabe
O que é ter coragem
De dizer
Bem alto
Mais alto
Que as batidas do meu peito
Que é tão simples
E tão só
O que eu sinto
Que é tão claro
E tão só
Que eu já minto
Pra mim mesma
Dizendo então:
Não é paixão
O que bate no meu peito
Nem desejo
Que eu já nem sinto direito
É mais forte
E mais feroz
É andar na contramão
E agora eu preciso
Não ter medo da verdade
O que bate no meu peito
É tanta
É pura
É simplesmente
Saudade.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Sinais
Aqui
Bem à sua frente
E te avisam
Com letras garrafais:
Não vá
Não queira
Não siga
Não ultrapasse
Não.
De nada adiantam
Para nada servem
Deveriam mesmo estar
Em letras minúsculas
Miúdas aos nossos olhos
Pelo menos teríamos
A desculpa
A chance de dizer:
Eu não vi
Eu não sabia
Ninguém me avisou
Para que sinais?
Se não te ajudam
Se não te poupam
Se não te puxam para fora desse redemoinho
Desse caos
Dessa dor infeliz
Desse inferno de solidão
Desse sufoco
Dessa vontade de apagar com uma borracha gigante
Tudo que fez
...
Apague
Apague as marcas indeléveis
Apague o sonho
Apague o seu sentimento
Porque tudo isso
De nada serve
Assim como os sinais
Que nada avisaram
E a vontade é de exigir
Que eles – os sinais-
Devolvam a sua paz
Devolvam o seu sossego
Devolvam você
A você mesmo
E te devolvam ainda
Tudo aquilo
Que você deixou pra trás.
Sem mais.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Crônica do tempo que começa a passar...
Porque gostar de alguém não deve ser como “matar um leão por dia”.
Não deve ser aquele sufoco, aquele peso, aquela sensação de angústia.
Isso não é gostar. É desgostar.
É desgostar de si mesmo, se maltratar, romper os laços com o que há de mais importante: o seu amor- próprio.
Desistir não é o mesmo que chegar à conclusão que não vale a pena.
Desistir é abrir mão, sem lutar, sem se esforçar. Chegar à conclusão que não vale a pena é doído, requer uma força que você não sabe de onde vai tirar. É admitir que lutar, definitivamente, não faz sentido. Então, é hora de concluir: não vale a pena.
Não tente, não force, não se machuque. Ou melhor, falando positivamente: siga adiante, veja com outros olhos, mude o foco, “bola pra frente” ou o que mais você quiser.
A procura não termina por conta da decepção. Seja ela qual for. A vida é especial demais para perdermos tempo com o que não importa ou com o que não deveria importar. Continue buscando, sempre.
Gaste o seu tempo com o que te faz sorrir, te faz feliz. Gaste o seu tempo com QUEM te faz feliz e economize-o com o que não serve!
Vá tomar um sorvete na Ribeira, escutar pagode e dançar sem preconceito, vá viver! Só não desconte no chocolate... engordar não vai te fazer bem.
E como disse Rauzito: “Queira. Basta ser sincero e desejar profundo...” Então, queira. Só é preciso saber esperar. O universo não está pronto pra nos atender no mesmo instante, às vezes demora... mas acontece.
De uma coisa eu sou testemunha, a vida dá muitas voltas. Algumas voltas completam os 360°, isto é, te levam, levam e te trazem para o mesmo lugar de onde saiu. Outras, mais radicais, te levam justamente para o lugar oposto, o lugar da mudança, do pensamento, do julgamento e quem sabe até, da conclusão.
E assim a vida vai, nós vamos. Aprendendo, conhecendo, superando, crescendo. É a regra do jogo.
E eu não quero mais estar na pele de quem não sabe jogar ou de quem ao menos, se nega a aprender. Porque matar o leão, aquele leão lá de cima, não é nada fácil e o meu foi morto hoje, definitivamente.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
No Trem
Seria como tocar o céu
Sentir seu corpo
Seria assim
Feito uma bruma
Feito um suspiro
Seria mais
Um furacão
Um vendaval
A linha reta
O caminho, tão destroçado
Seria como tocar o céu
E ver as estrelas
Na luz ofuscante
No brilho que cega
No brilho que me cega
Seria infinito
Assim, pra sempre
Como o sempre
Que nunca dura
Que sempre acaba
Que nunca é sempre
Seria amor
Seria suor
Assim, com paixão
Igual ao meu caminho
Tão destroçado
Seria você
A minha escolha
Seria o seu cheiro
O meu respiro
Seria a sua pele
A minha casa
O seu caminho
O meu caminho
Aquele, sim, já tão destroçado
Seria a minha alma
Alegria contagiosa
Seria o meu peito
O baú do tesouro
Guardaria em mim
O segredo
O amor
O ouro
A sua fala
Seria a minha música
O seu desejo
O meu despudor
A sua dança
O meu caminho
Aquele, assim, sempre, nunca, tão destroçado
E seria assim
A felicidade
O encontro
O laço
Seria o nó, o seu abraço
Seria sim, eu saberia
Seria eu
Seria você
Seria aquilo
Que o amor guardou
E escondeu
E me mostrou
Quem não seria
Não seria eu
Não seria você
Em meu caminho
Aquele assim
Já tão destroçado
De mim.
domingo, 9 de outubro de 2011
Escolha
