sexta-feira, 2 de março de 2012

Duas sílabas

As batidas do meu peito
Que gritam
Em desassossego
Dizem em duas sílabas
O nome de quem eu quero
Por perto
Aqui ao lado
Por dentro
Emaranhado

E quem sabe
O que é ter coragem
De dizer
Bem alto
Mais alto
Que as batidas do meu peito
Que é tão simples
E tão só
O que eu sinto

Que é tão claro
E tão só
Que eu já minto
Pra mim mesma
Dizendo então:
Não é paixão
O que bate no meu peito
Nem desejo
Que eu já nem sinto direito


É mais forte
E mais feroz
É andar na contramão

E agora eu preciso
Não ter medo da verdade
O que bate no meu peito
É tanta
É pura
É simplesmente
Saudade.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Sinais

Eles estão ali
Aqui
Bem à sua frente

E te avisam
Com letras garrafais:


Não vá
Não queira
Não siga
Não ultrapasse
Não.

De nada adiantam
Para nada servem
Deveriam mesmo estar
Em letras minúsculas
Miúdas aos nossos olhos

Pelo menos teríamos
A desculpa
A chance de dizer:

Eu não vi
Eu não sabia
Ninguém me avisou

Para que sinais?
Se não te ajudam
Se não te poupam
Se não te puxam para fora desse redemoinho
Desse caos
Dessa dor infeliz
Desse inferno de solidão
Desse sufoco
Dessa vontade de apagar com uma borracha gigante
Tudo que fez

...

Apague
Apague as marcas indeléveis
Apague o sonho
Apague o seu sentimento
Porque tudo isso
De nada serve
Assim como os sinais
Que nada avisaram

E a vontade é de exigir
Que eles – os sinais-
Devolvam a sua paz
Devolvam o seu sossego
Devolvam você
A você mesmo
E te devolvam ainda
Tudo aquilo
Que você deixou pra trás.

Sem mais.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Crônica do tempo que começa a passar...

Porque gostar de alguém não deve ser como “matar um leão por dia”.

Não deve ser aquele sufoco, aquele peso, aquela sensação de angústia.

Isso não é gostar. É desgostar.

É desgostar de si mesmo, se maltratar, romper os laços com o que há de mais importante: o seu amor- próprio.

Desistir não é o mesmo que chegar à conclusão que não vale a pena.

Desistir é abrir mão, sem lutar, sem se esforçar. Chegar à conclusão que não vale a pena é doído, requer uma força que você não sabe de onde vai tirar. É admitir que lutar, definitivamente, não faz sentido. Então, é hora de concluir: não vale a pena.

Não tente, não force, não se machuque. Ou melhor, falando positivamente: siga adiante, veja com outros olhos, mude o foco, “bola pra frente” ou o que mais você quiser.

A procura não termina por conta da decepção. Seja ela qual for. A vida é especial demais para perdermos tempo com o que não importa ou com o que não deveria importar. Continue buscando, sempre.

Gaste o seu tempo com o que te faz sorrir, te faz feliz. Gaste o seu tempo com QUEM te faz feliz e economize-o com o que não serve!

Vá tomar um sorvete na Ribeira, escutar pagode e dançar sem preconceito, vá viver! Só não desconte no chocolate... engordar não vai te fazer bem.

E como disse Rauzito: “Queira. Basta ser sincero e desejar profundo...” Então, queira. Só é preciso saber esperar. O universo não está pronto pra nos atender no mesmo instante, às vezes demora... mas acontece.

De uma coisa eu sou testemunha, a vida dá muitas voltas. Algumas voltas completam os 360°, isto é, te levam, levam e te trazem para o mesmo lugar de onde saiu. Outras, mais radicais, te levam justamente para o lugar oposto, o lugar da mudança, do pensamento, do julgamento e quem sabe até, da conclusão.

E assim a vida vai, nós vamos. Aprendendo, conhecendo, superando, crescendo. É a regra do jogo.

E eu não quero mais estar na pele de quem não sabe jogar ou de quem ao menos, se nega a aprender. Porque matar o leão, aquele leão lá de cima, não é nada fácil e o meu foi morto hoje, definitivamente.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

No Trem


Seria como tocar o céu
Sentir seu corpo
Seria assim
Feito uma bruma
Feito um suspiro
Seria mais
Um furacão
Um vendaval
A linha reta
O caminho, tão destroçado

Seria como tocar o céu
E ver as estrelas
Na luz ofuscante
No brilho que cega
No brilho que me cega

Seria infinito
Assim, pra sempre
Como o sempre
Que nunca dura
Que sempre acaba
Que nunca é sempre

Seria amor
Seria suor
Assim, com paixão
Igual ao meu caminho
Tão destroçado

Seria você
A minha escolha
Seria o seu cheiro
O meu respiro
Seria a sua pele
A minha casa
O seu caminho
O meu caminho
Aquele, sim, já tão destroçado

Seria a minha alma
Alegria contagiosa
Seria o meu peito
O baú do tesouro
Guardaria em mim
O segredo
O amor
O ouro

A sua fala
Seria a minha música
O seu desejo
O meu despudor
A sua dança
O meu caminho
Aquele, assim, sempre, nunca, tão destroçado

E seria assim
A felicidade
O encontro
O laço
Seria o nó, o seu abraço
Seria sim, eu saberia

Seria eu
Seria você
Seria aquilo
Que o amor guardou
E escondeu
E me mostrou
Quem não seria
Não seria eu
Não seria você
Em meu caminho
Aquele assim
Já tão destroçado
De mim.

domingo, 9 de outubro de 2011

Escolha




Entre a beleza, a inteligência e o poder
Eu escolho você.

Entre todos os momentos
Escolho aquele em que eu posso estar com você.

Olhei, mas não te vi
Não percebi
A presença de um mar calmo
Constante
Seguro
Leve
Você.

De agora em diante, o mundo gira
Eu respiro, penso e sinto
Você.

Um sorriso não me basta
Como já me bastou um dia
O sorriso é só a ponta
Do que eu quero e do que eu preciso

Quero mais que o meio dia
Mais que o anoitecer
Mais que a vida vazia
Quero em tudo
Você.

E seu eu quero
Eu consigo
Basta apenas esperar
O momento em que eu decido
Que é hora de guardar

O meu melhor
A minha vida
A minha pele
O meu suspiro

Pra você.

domingo, 17 de abril de 2011

Síndrome de Gabriela

Mudar não é fácil. Mas... quem disse que a vida é fácil?

Agora, encarnar a Gabriela, com o discurso de " Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim...", não deixa a sua vida nem um pouco melhor.

Mudar é necessário. E mudamos sempre, só não nos damos conta disso.
Mudamos nas coisas mais simples, mas nas mais difíceis, complicadas e sofridas, construímos um muro cada vez maior, pra esconder de nós mesmos a nossa necessidade de mudança.

Não basta mudar o corte ou a cor do cabelo, o estilo de roupa, de música. Até porque, isso é só a casca, que um dia se quebra.
É preciso mudar lá no fundo, naquele escondidinho que precisa se mostrar, se transpor, se reinventar.

É preciso mudar!

Acreditar na Síndrome de Gabriela, é tornar sábias e proféticas as palavras que, saindo de Dorival Caimmy e passando pelo Melô do Tchan - "Pau que nasce torto, nunca se endireita", nos mostram uma forma pequena e egoísta de ver a vida.
Se fosse verdade, que graça teria?
Onde estaria então o nosso livre direito de caminhar e descobrir, de viver coisas novas e perceber que já não somos mais os mesmos, mas que somos a nossa versão melhorada?
É nisso em que eu acredito, que devemos sempre ser melhores. Não do que o outro, mas do que somos hoje, que já é melhor do que fomos ontem, mas ainda não tão bom quanto o que podemos ser amanhã.

Faça a sua "Modinha".
Não pare no tempo.
E tenha certeza de que mudar, além de necessário, é plenamente e maravilhosamente possível.

Modinha para Gabriela - Dorival Caimmy:


domingo, 3 de abril de 2011

É Hora de Voar

"Eu conheço a imensidão do céu
Pássaro que sou
Mergulharei de vez
Uma vez, ou três..."

Essas palavras não são minhas, mas dizem como eu queria dizer.

É hora de alçar novos voos, de tentar, arriscar, sofrer, sorrir, lutar, amar. É tempo de deixar os medos para trás, porque eles só nos fazem desistir. Não nos fazem evitar o sofrimento, sofremos mesmo com o medo. Ele nos enfraquece, nos acovarda.

O que precisamos é de um empurrão. De um "vai pra vida!"

Esperar que saibamos todas as consequências deixa a vida sem graça, cansativa e erroneamente previsível, porque só acertaremos se for nos fracassos. "Eu não vou fazer, porque vai dar errado". Certamente você acertará na sua previsão.

Esqueça.
Tente voar... abrir as suas asas, a sua mente, o seu coração.
Veja com os olhos da liberdade.
Torne-se livre nas pequenas coisas...
Saia de casa um dia apenas sem o celular, tente ficar algum tempo sem usar a internet, vá passear sem hora pra voltar, faça uma viagem sem se programar com tanta antecedência, pense menos nos detalhes. Simplesmente viva!

E seja você. E se orgulhe de quem você é, das suas conquistas, das suas lutas e dos seus sonhos.
Transforme o seu mundo.
Seja feliz.
E quando estiver pronta, olhe pro horizonte, respire fundo e diga a você mesma:
- É hora de voar!